Setembro Dourado reforça a importância do diagnóstico precoce no tratamento contra o câncer infantojuvenil

O mês de setembro é tradicional e mundialmente conhecido por representar a causa. Atualmente, o câncer na criança e no adolescente representa de 1% a 3% de todos os casos de câncer diagnosticados, sendo estimado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) a ocorrência de mais de 12 mil novos casos ao ano na faixa etária de zero a 19 anos.

O setembro dourado foi criado para alertar profissionais da saúde, pais, educadores e sociedade em geral sobre a importância de se atentar aos sinais e sintomas sugestivos do câncer infantojuvenil, contribuindo com a sua detecção e tratamento precoces. Para isso a campanha conta com ações educativas nas redes sociais e palestras para os profissionais da área. Essas ações também visam reivindicar os devidos investimentos na assistência a esses pacientes que “valem ouro”, por isso o dourado foi a cor escolhida.

Para tanto, o pediatra tem papel essencial na suspeita diagnóstica do câncer, mas, para alcançar o sucesso no tratamento é fundamental que os pais e cuidadores realizem consultas regulares com seus filhos, visando o diagnóstico precoce da doença. Vale ressaltar que os sinais e sintomas presentes no câncer infantojuvenil não são específicos, mas podem estar associados e/ou serem confundidos com os de outras doenças comuns na infância. Entretanto, demonstra perspectivas de bom prognóstico, se houver um diagnóstico precoce com um tratamento rápido e eficaz, sendo que as chances de cura podem chegar a 80%.

Para isso, é preciso ficar atento a certos sintomas que crianças e adolescentes podem apresentar, como palidez, dor óssea, hematomas ou sangramentos pelo corpo, caroços ou inchaços, especialmente se forem indolores e não acompanhados de febre ou outros sinais de infecção, perda de peso sem causa aparente, febre e sudorese noturna, tosse persistente ou falta de ar, alterações oculares (reflexo branco na pupila, estrabismo recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos), inchaço abdominal, dores de cabeça, especialmente se forem incomuns e contínuas, além de vômitos recorrentes pela manhã ou com piora durante o dia, dores nos membros e inchaços sem qualquer sinal de infecção ou trauma.

O aparecimento de um ou mais desses sintomas não indica especificamente um diagnóstico de câncer, mas eles devem ser investigados através de uma avaliação de um especialista, com exames clínicos, radiológicos e laboratoriais.

Os cuidados precisam contemplar desde os níveis da atenção básica à atenção especializada de média e alta complexidade de atendimento para que ocorram ações de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. O tratamento do câncer infantojuvenil deve ser realizado em centro especializado em oncologia pediátrica, por equipe multiprofissional e individualizada para cada tipo histológico específico e de acordo com a extensão clínica da doença (estadiamento).

A aquisição de hábitos de vida saudáveis nesta fase é vista, hoje, como a estratégia preventiva que pode ajudar os indivíduos a se manterem por mais tempo saudáveis, evitando o câncer e outras doenças crônicas na idade adulta. Considerando que na infância e na adolescência ocorrem mudanças, não apenas biológicas, mas também psicológicas, que podem ser modificadas de forma favorável ou desfavorável ao desenvolvimento de doenças, é imprescindível nas primeiras décadas de vida difundir o conhecimento sobre os efeitos dos fatores de risco na expectativa média de vida da população, além de desenvolver estratégias preventivas que envolvam diversos setores da sociedade.